Celebrity Cruises Experiências

Templos, Vulcões e uma Emergência em Osaka: A Minha Viagem de Cruzeiro pelo Japão a bordo do Celebrity Millennium

🇯🇵 Toda a gente diz que o Japão é diferente. Têm razão... mas não pelo que imaginas. Não é pelos néons de Tóquio nem pelo contraste entre templos e arranha-céus. É pela forma como uma cultura de séculos ainda dita cada gesto, cada interação, cada detalhe do dia a dia. 🎎 Durante quase duas semanas, um grupo de 25 pessoas percorreu o Japão a bordo do Celebrity Millennium, de Yokohama a Tóquio, passando por Osaka, Nagasaki, Kagoshima, Busan e muito mais. 🌋 Houve paisagens de cortar a respiração. Gastronomia inesquecível. Um vulcão ativo à janela. Arte digital que desafia a realidade. E um imprevisto que nos lembrou que viajar em grupo é, antes de tudo, um exercício de humanidade. 👉 O relato completo está no blog e o link está nos comentários.
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Toda a gente diz que o Japão é diferente. Têm razão, mas não pelo que se imagina.

Não é pelo contraste entre o templo antigo e o arranha-céus moderno, essa imagem já toda a gente conhece. É pela forma como uma cultura de séculos ainda dita o comportamento de cada pessoa, em cada gesto, em cada interação do dia a dia. Percebe-se isso nos primeiros dias, nas pequenas coisas, antes de conseguir sequer explicar porquê.

Num país de 125 milhões de pessoas, as ruas de Tóquio fazem-se em silêncio. Ninguém fala ao telefone, ninguém empurra, ninguém buzina. Um funcionário inclina-se para cumprimentar um comboio que parte, mesmo que não haja ninguém a ver. Um empregado de loja agradece com uma vénia mesmo depois de a porta já ter fechado. Não são regras de cortesia, são reflexos.

E perceber isso muda a forma como se olha para tudo o resto no Japão.

Santuário Meiji, Tóquio

Partimos de Lisboa no final de abril, um grupo de cerca de 25 pessoas, em mais uma viagem organizada pela Famatour. O destino: um cruzeiro de 11 noites a bordo do Celebrity Millennium, com saída de Yokohama e chegada a Tóquio, seguido de três dias na capital do Japão.

No total, quase duas semanas que ficaram gravadas na memória, pelas paisagens, pelos templos, pela gastronomia, pelos imprevistos e, acima de tudo, pelas pessoas.

O Japão é um país de contrastes profundos. Em poucos minutos passa-se de um jardim sereno com mais de mil anos de história para uma rua iluminada por néons gigantes, rodeada de ecrãs, anime e tecnologia.

É esta tensão constante entre tradição e modernidade que torna o país tão fascinante, e tão difícil de resumir em palavras.

Dia 1, Tóquio: A chegada

Depois de mais de 18 horas de viagem (Lisboa, escala no Dubai, Tóquio), chegámos ao final da tarde ao aeroporto de Narita. O entusiasmo do grupo era maior do que o cansaço, o que já diz muito.

À chegada, soubemos de um sismo de magnitude 7 que tinha afetado o norte do país e sido sentido na capital. Sem qualquer impacto na nossa viagem, mas um lembrete imediato de que estávamos num país que convive de forma notável com a atividade sísmica.

O hotel ficava no bairro de Chiyoda, em pleno centro de Tóquio, mesmo junto ao Palácio Imperial, a residência oficial do Imperador. Uma localização tranquila, quase solene, que contrariava a ideia de metrópole caótica que muitos têm da cidade.

E já que falo do hotel, foi aqui o primeiro contacto com as famosas sanitas japonesas. Assento aquecido, bidé integrado, jato de água regulável em temperatura e pressão, secagem com ar quente, desodorização, abertura automática. O papel higiénico estava lá, mas percebemos rapidamente que era apenas uma formalidade. Quem experimenta, não volta atrás. 😊

Dia 2, Yokohama: O embarque

Manhã tranquila em Chiyoda, a poucos minutos a pé do Palácio Imperial. Ruas organizadas, pessoas a passo apressado mas em silêncio. Uma das primeiras impressões fortes do Japão: a disciplina colectiva no espaço público.

A meio da manhã, transfer para Yokohama, a cerca de 45 minutos de Tóquio, para embarcar no Celebrity Millennium. A descoberta mais aprofundada da capital ficaria reservada para o regresso.

O Celebrity Millennium é o primeiro navio da classe Millennium da Celebrity Cruises. Posicionado no segmento premium, tem linhas elegantes e clássicas, especialmente quando comparado com os modelos mais recentes da classe Edge.

Com pouco mais de 2.000 passageiros, está longe do conceito de mega navio, e isso traduz-se numa experiência mais tranquila, sem filas nem multidões. Sofisticado mas descontraído. Exatamente o que se pretende numa viagem destas.

Dia 3, Shimizu: O Monte Fuji ao fundo

Monte Fuji

Primeira escala: Shimizu, nos arredores de Shizuoka, porta de entrada para um dos maiores símbolos do Japão, o Monte Fuji, com os seus quase 3.700 metros.

O dia começou no Miradouro de Nihondaira, com vistas amplas sobre o Fuji e a Baía de Suruga. Dali, descemos de teleférico até ao Santuário Kunozan Toshogu, um dos mais importantes do país, dedicado a Tokugawa Ieyasu, o líder militar que unificou o Japão e fundou o Shogunato Tokugawa.

Classificado como Tesouro Nacional, impressiona pela arquitetura ricamente decorada: laca preta e detalhes dourados a brilhar entre a vegetação.

Antes de regressar ao navio, visitámos Miho no Matsubara, uma zona costeira classificada como Património Mundial da UNESCO. Uma faixa de cerca de 7 km com aproximadamente 50.000 pinheiros centenários, as águas azuis da baía e o Monte Fuji no horizonte.

Uma das paisagens mais emblemáticas do Japão, e percebe-se porquê.

Todos estes locais ficam a curta distância do porto, o que permitiu uma escala aproveitada ao máximo.

Dia 4, Osaka: Castelos e mercados debaixo de chuva

Osaka recebeu-nos com chuva intensa e persistente. O tempo condicionou os planos e obrigou a encurtar o programa, mas não impediu que fosse um bom dia. A terceira maior cidade do Japão é conhecida como a capital gastronómica do país, e começa-se a perceber porquê logo de manhã.

Abrimos o dia no Castelo de Osaka, rodeado por jardins bem cuidados. Construído em 1583 por Toyotomi Hideyoshi, figura central da unificação política do Japão, o castelo atravessou várias reconstruções ao longo dos séculos.

Hoje é possível subir ao oitavo andar e ter uma vista panorâmica sobre a cidade, com um museu no interior dedicado à vida de Hideyoshi e à história samurai.

Para almoço, refugiámo-nos no Mercado de Kuromon, a chamada “Cozinha de Osaka“. Com cerca de 200 anos de história, é um dos mercados de rua mais emblemáticos do país.

Marisco fresco preparado na hora, vieiras grelhadas, sashimi de atum, ostras, espetadas de carne Wagyu. Uma das melhores refeições da viagem, e ainda bem, porque o tempo lá fora não convidava a mais.

Dotonbori, o bairro dos néons e da comida de rua, ficou para outra ocasião. A chuva venceu essa batalha.

Dia 5, Osaka (Kyoto): O dia que não estava no guião

Kyoto não foi o centro desta história, e talvez por isso este tenha sido um dos dias mais marcantes de toda a viagem.

Partimos do porto de Osaka com tudo preparado para explorar a antiga capital do Japão, com mais de mil anos de história. Mas como tantas vezes acontece em viagem, o inesperado mudou por completo o rumo do dia.

Uma emergência médica com um dos passageiros obrigou a resposta imediata. Entre o centro médico do Celebrity Millennium e, posteriormente, o maior hospital de Osaka, passámos horas entre avaliações, exames e diagnósticos. Um dia exigente e emocionalmente desgastante, tanto para o passageiro, naturalmente, como para mim, enquanto um dos responsáveis pelo grupo.

O diagnóstico revelou uma situação contagiosa, o que obrigou ao isolamento. Uma decisão difícil, mas necessária. Voltei ao navio mesmo a tempo, antes de zarpar, com poucos minutos de margem.

Este é o lado menos visível das viagens organizadas. O que não aparece nas fotografias dos templos ou nas selfies junto ao Monte Fuji.

Um cruzeiro de grupo não é apenas sobre os lugares que se visitam. É também sobre as pessoas, o cuidado e a presença constante quando os imprevistos aparecem.

Kyoto ficou em segundo plano para mim. Enquanto o restante grupo explorou a cidade com o programa previsto, passei o dia entre médicos e enfermeiros, focado no que importava: a saúde do passageiro.

Um agradecimento muito sincero à equipa do centro médico do Celebrity Millennium e aos profissionais do hospital em Osaka, pelo profissionalismo e pela forma como nos acolheram.

Quanto a Kyoto, ficará para uma próxima visita. Porque viajar também é isto.

Dia 6, Kochi: A surpresa do sul

Kochi foi, talvez, a escala menos esperada, e uma das mais agradáveis. Uma cidade menos turística, com menos multidões, mais autenticidade e uma identidade muito própria.

Começámos pelo Makino Botanical Garden, dedicado ao botânico Tomitaro Makino, considerado o “pai da botânica japonesa”. Com mais de 3.000 espécies e trilhos tranquilos pela encosta do Monte Godaisan, é um espaço que convida à calma, e à fotografia.

Subindo o mesmo monte, chegámos ao Chikurin-ji, um templo budista com mais de 1.300 anos e a 31.ª paragem da famosa peregrinação de Shikoku.

Entre jardins serenos e um pagode de cinco andares, o ambiente é de paz e contemplação. Budistas a rezar, a fazer oferendas, a acender incenso. Práticas simples, carregadas de significado.

O almoço foi no Hirome Market, espaço vibrante e autêntico, ideal para provar especialidades locais. Foi também mais uma tentativa, não totalmente bem sucedida, de dominar os hashi, os tradicionais pauzinhos usados como talheres em grande parte da Ásia. O Japão vai ter que me receber mais vezes para conseguir treinar e dominar a técnica.

No centro da cidade, o Castelo de Kochi fechou o dia em beleza. Um dos poucos castelos originais do Japão, do século XVII, com estrutura integral em madeira e complexo praticamente intacto. As escadas são íngremes e quase verticais, mas a vista lá de cima compensa. E o ranger do soalho de madeira original dá uma sensação de autenticidade que nenhuma reconstrução consegue replicar.

Dia 7, Navegação

Dia de mar, descanso e descoberta do Celebrity Millennium. Um navio que foi confirmando, escala após escala, a reputação da Celebrity: gastronomia de qualidade consistente, tripulação sempre disponível, serviço sofisticado sem nunca criar distância.

Celebrity Millennium

Num dos jantares, fomos surpreendidos com um prato muito especial: Bacalhau à Gomes de Sá, ou como lhe chamou o chef, Bacalhau à Filipino. Independentemente do nome, estava excelente. Um gesto da tripulação que não passou despercebido.

Dia 8, Busan, Coreia do Sul: Uma paragem inesquecível

A única escala fora do Japão, e uma das mais marcantes de toda a viagem. Busan é a segunda maior cidade da Coreia do Sul, com mais de 3 milhões de habitantes e um dos maiores portos marítimos do mundo.

Vila Cultural de Gamcheon, Busan, Coreia do Sul

Começámos pela Vila Cultural de Gamcheon, um labirinto de casas em tons pastel construídas em socalcos numa encosta íngreme. Apelidada de “Machu Picchu de Busan” ou “Santorini da Coreia“, é um dos locais mais fotografados do país.

Um brasileiro que lá encontrámos resumiu bem: a favela mais bonita que já tinha visto.

A seguir, uma visita bem diferente: o Memorial das Nações Unidas, o único cemitério oficialmente reconhecido pela ONU no mundo.

Um terreno doado pela Coreia do Sul em homenagem aos soldados de 11 países que combateram durante a Guerra da Coreia (1950–1953).  Cerca de 2.300 soldados estão aqui sepultados, de um total original de mais de 11.000, com muitos entretanto repatriados.

Um espaço de silêncio e memória que convida à reflexão sobre os contrastes atuais entre as duas Coreias: uma democracia vibrante e tecnologicamente avançada a sul; uma ditadura fechada e militarizada a norte. A mesma língua, a mesma herança, e em muitos casos as mesmas famílias separadas.

Junto ao porto fica o Mercado Jagalchi, o maior mercado de peixe da Coreia do Sul, onde o cheiro a peixe fresco nos recebeu logo à entrada.

O porto de Busan fica bem próximo do centro da cidade, facilmente acessível de autocarro ou shuttle.

Dia 9, Nagasaki: Memória e reconciliação

De regresso ao Japão, chegámos a Nagasaki, uma das cidades mais marcadas pela Segunda Guerra Mundial.

A manhã foi passada num percurso profundamente emotivo: o Parque da Paz, a Estátua da Paz, o Museu da Bomba Atómica, o Hipocentro, o ponto exato da explosão, e a Catedral de Urakami, uma das maiores igrejas católicas da Ásia, destruída nesse mesmo instante. A visita ao museu tocou toda a gente do grupo, sem excepção.

Ao almoço, o ambiente do bairro de Chinatown, um dos mais antigos do Japão, foi um contraponto necessário. Escolhemos o Sara Udon, prato de noodles estaladiços com molho espesso, típico de Nagasaki.

À tarde, o bairro de Dejima revelou uma história que poucos conhecem: uma pequena ilha artificial que, durante mais de dois séculos, foi o único ponto de contacto entre o Japão fechado e o mundo ocidental.

Hoje cuidadosamente reconstruída, permite perceber o quotidiano dos comerciantes estrangeiros, sobretudo holandeses, e as trocas culturais da época. Curiosidade com ligação próxima: foram os portugueses os primeiros europeus a chegar a Nagasaki, no século XVI, introduzindo o comércio, a cultura e o cristianismo.

Bairro de Dejima, Nagasaki

O dia terminou no Glover Garden, com vistas deslumbrantes sobre o porto e a casa de Thomas Glover, a mais antiga residência ocidental em madeira ainda existente no Japão. A cerca de 15 minutos a pé do terminal de cruzeiros. Sempre a subir, mas vale cada passo.

Dia 10, Kagoshima: Com um vulcão no horizonte

Última escala pelo sul do Japão. Kagoshima é uma cidade que não se esquece, em grande parte porque o Sakurajima, um dos vulcões mais activos do mundo, domina a paisagem de forma permanente.

Começámos o dia precisamente no sopé do vulcão. A população local convive com ele de forma notável: sismógrafos e sensores por toda a parte, planos de evacuação definidos, capacetes nas escolas para proteção contra a queda de cinzas e detritos. A última grande erupção data de 1914, a chamada erupção Taisho, tão violenta que acabou por ligar a antiga ilha ao continente.

Junto ao vulcão fica o Sakurajima Lava Park, com um dos maiores pedilúvios naturais do Japão, alimentado por águas termais. Com vista directa para o Sakurajima, foi um momento de pausa bem merecida.

Visitámos ainda o Arimura Lava Observatory, com uma das melhores perspectivas sobre o vulcão, e o Tsurumaru Castle, onde restam as muralhas, os jardins e o portão principal, testemunhos silenciosos de uma importância histórica que o tempo não apagou.

A tarde terminou no centro de Kagoshima, uma cidade descontraída e acolhedora, com o vulcão sempre presente no horizonte. O encerramento perfeito para o sul do Japão.

Dia 11, Navegação: Rumo a Tóquio

Último dia de mar antes da chegada à capital. Tempo para descansar, refletir e aproveitar o navio, que ao longo de 11 noites nos tratou muito bem.

Dia 12, Tóquio: A capital que não para

Chegada a Tóquio e início de três dias em terra na maior metrópole do Japão, cerca de 13 milhões de habitantes na cidade, mais de 37 milhões na área metropolitana.

A manhã começou no Museu Nacional de Tóquio, o mais antigo do país, com uma colecção impressionante: armaduras de samurais, cerâmica, caligrafia, objetos do período Edo. Um espaço que exige tempo, mas que vale cada minuto para quem quer compreender a história japonesa.

De seguida, o Hie Shrine, um santuário xintoísta no meio da cidade, com o seu corredor de toris vermelhos a subir pela encosta. Tranquilo e espiritual, em contraste total com o ritmo urbano que o rodeia.

Hie Shrine, Tóquio

Para almoço, subimos ao 46.º andar de um arranha-céus, ao Restaurante Hokkaido, com gastronomia japonesa e vistas panorâmicas sobre a cidade.

À tarde, o Zojo-ji, um dos templos budistas mais emblemáticos de Tóquio, situado mesmo ao lado da Torre de Tóquio. O contraste entre a arquitetura tradicional do templo e a modernidade da torre cria um dos cenários mais fotogénicos da cidade.

O dia terminou em Akihabara, o bairro da electrónica, do anime e dos videojogos. Luzes néon, lojas em cada esquina, energia permanente. O lado mais irreverente de Tóquio, num bairro que parece nunca dormir.

Dia 13, Tóquio: Arte digital, Shabu-shabu e Hachiko

Um dos dias mais variados e memoráveis da viagem.

Começámos no teamLab Planets, uma experiência verdadeiramente sensacional. Caminhamos descalços por salas interativas com água, espelhos e projeções em constante movimento.

Numa das salas mais icónicas, a água chega aos tornozelos, a ideia é fundir o corpo com a própria obra de arte. Diferente de tudo o que é habitual, cada espaço surpreende e convida a explorar sem pressa.

O almoço foi no Mo-Mo-Paradise, um restaurante de rodízio especializado em shabu-shabu e sukiyaki, carne e legumes cozinhados diretamente na mesa, em caldo quente. Não é exatamente o meu prato de eleição, mas correu surpreendentemente bem. Saboroso, descontraído, ideal para recuperar energias.

À tarde, os Hama-rikyu Gardens, um antigo jardim do período Edo que pertenceu aos xoguns (líderes samurais), situado junto à baía e rodeado por arranha-céus. O lago de água salgada que sobe e desce com a maré é algo raro nos jardins japoneses tradicionais.

O dia terminou em Shibuya, o cruzamento mais movimentado do mundo, com milhares de pessoas a atravessar em simultâneo a cada ciclo de semáforos. Um caos aparente que funciona com uma precisão quase coreografada.

E ali, na entrada da estação, a estátua de Hachiko. O cão da raça Akita que nos anos 1920 acompanhava diariamente o seu dono até à estação e regressava à mesma hora para o receber.

Após a morte súbita do professor, Hachiko continuou a aparecer todos os dias durante cerca de nove anos , à espera de alguém que nunca mais voltou. Uma história que comoveu o país inteiro, e que continua a comover quem a ouve pela primeira vez.

Dia 14, Tóquio: O regresso do passageiro e a despedida do Japão

O último dia começou no Meiji Shrine, um dos santuários xintoístas mais importantes de Tóquio, rodeado por uma floresta de mais de 100.000 árvores plantadas manualmente, vindas de todo o Japão. Um ambiente de paz impressionante no meio de uma metrópole de 13 milhões de pessoas.

O santuário foi construído em honra do Imperador Meiji (1852–1912), figura central de uma das maiores transformações da história japonesa: a Restauração Meiji, período em que o Japão passou de uma sociedade feudal e isolada para uma nação moderna e industrializada em poucas décadas.

Abolição dos privilégios dos samurais, criação de um exército moderno, abertura ao Ocidente. Uma transformação extraordinária.

O almoço no Asakusa Sumo Club foi uma experiência diferente: gastronomia japonesa com demonstrações de sumo à mesa e explicações sobre as regras, rituais e tradições do desporto. Cultura e gastronomia em simultâneo.

À tarde, o Senso-ji, o templo budista mais antigo de Tóquio, com entrada pela icónica Kaminarimon Gate e passagem pela animada Nakamise Street.

Cheio de peregrinos e turistas neste domingo, o templo mantém os seus rituais autênticos: incenso aceso para purificação, orações, sortes (omikuji). Um espaço que equilibra espiritualidade genuína com uma presença turística inevitável.

Templo Senso-ji, Tóquio

E foi aqui que o dia ganhou um significado extra: o passageiro que tinha ficado em isolamento desde Osaka juntou-se de volta ao grupo. Recuperado e ainda a tempo de fazer esta última excursão connosco. Uma alegria genuína para todos, e a melhor forma de fechar esta aventura. 🙏

Nessa noite, voo de regresso a Lisboa.

Com malas cheias, memórias para a vida e uma certeza partilhada por todo o grupo: voltaremos ao Japão.

O Celebrity Millennium: Uma palavra sobre o navio

Ao longo de 11 noites, o Celebrity Millennium foi muito mais do que um meio de transporte entre escalas. Elegante, clássico, com um ambiente sofisticado sem afectação.

Com pouco mais de 2.000 passageiros, proporciona uma experiência tranquila, sem filas intermináveis nem multidões nos corredores.

A gastronomia manteve um nível consistentemente elevado ao longo de toda a viagem. O serviço da tripulação foi, de longe, um dos grandes pontos fortes: atento, discreto e sempre presente, com aquele gesto especial do Bacalhau à Gomes de Sá que ficou na memória de todos.

Para quem procura um cruzeiro premium no Pacífico, o Celebrity Millennium é uma escolha sólida e difícil de defraudar.

Em jeito de conclusão

O Japão não é um destino, é uma experiência. Um país que surpreende a cada esquina, onde a disciplina e a modernidade convivem com séculos de tradição e espiritualidade, onde a ausência de lixo nas ruas e a organização do espaço público dizem mais sobre a cultura local do que qualquer guia de viagem.

Visitámos templos budistas e santuários xintoístas, vulcões ativos e jardins centenários, mercados de rua e restaurantes em arranha-céus.

Vivemos momentos de alegria, de admiração, de emoção… e também um imprevisto que nos lembrou que viajar em grupo é, antes de tudo, um exercício de humanidade.

Prometemos voltar. 🙏

E desta vez com os hashi mais bem treinados. 😁

No Santuário Meiji, Tóquio

Dicas Rápidas

  • O Japão é um país de dinheiro físico: leva iene em notas, muitos sítios não aceitam cartão.
  • Nos transportes públicos, o silêncio é uma norma não escrita. Telefonemas e conversas em voz alta são mal vistos.
  • Reserva o teamLab Planets com antecedência: esgota com muita facilidade.
  • O Glover Garden em Nagasaki e o Meiji Shrine em Tóquio são melhores de manhã cedo, antes das visitas organizadas chegarem.
  • Para os hashi: pratica antes de partir. Ou resigna-te a pedir faca e garfo.
  • Prepara o tradutor do seu telemóvel: os japoneses não se dão muito bem com o inglês… muito menos com o português.

 

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About the author

Nuno Ribeiro

Olá, o meu nome é Nuno Ribeiro e sou fundador do Blog dos Cruzeiros, um blog sobre o mundo dos grandes cruzeiros, onde pode encontrar notícias, opiniões, sugestões, guias, companhias, navios e muito mais. Sempre que subo a bordo de um navio descrevo toda a experiência aqui para que possa ajudar quem pretende fazer um cruzeiro. Boas leituras!

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