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Canal do Panamá; Colombia & as Ilhas ABC (Aruba, Bonaire e Curaçao)! Entre praias de águas cristalinas, cidades coloniais cheias de história e a travessia do Canal do Panamá, esta é uma viagem que combina natureza, cultura e engenharia como poucas no mundo.
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A CLIA – Cruise Lines International Association, a maior associação comercial da indústria de cruzeiros a nível global, apresentou os dados mais recentes do setor e a mensagem é clara: a procura por cruzeiros continua a crescer na Europa, impulsionada tanto por passageiros que querem repetir a experiência como por novos viajantes a entrar no mercado. De acordo com estes indicadores, cerca de 90% dos passageiros demonstram intenção de voltar a fazer um cruzeiro, um sinal de fidelização raro no turismo e que ajuda a explicar a força do segmento.
Para a CLIA Europa, os cruzeiros estão cada vez mais associados a descoberta e ligação com os destinos. Nikos Mertzanidis, Diretor Executivo da CLIA Europa, resume esta ideia ao afirmar que “as viagens de cruzeiro servem para descobrir destinos e criar ligações duradouras”.
O responsável destaca ainda um dado relevante para os portos e cidades visitadas: a nível global, cerca de 60% dos passageiros regressam a locais que conheceram numa viagem de cruzeiro, prolongando os benefícios do turismo para lá dos dias passados a bordo. Na mesma linha, Mertzanidis lembra que os itinerários são planeados com grande antecedência e em coordenação com portos e destinos, o que torna este tipo de turismo mais previsível e altamente organizado – uma vantagem importante para economias locais que dependem de fluxos consistentes.
Europa em alta: mais passageiros e o Mediterrâneo no topo
O mercado europeu está a viver um momento de procura elevada, com a diversidade de rotas e a natureza multi-escala dos itinerários a atrair viajantes. A Europa gerou perto de 9 milhões de passageiros, sendo um destino apenas superado pelas Caraíbas. Dentro do continente, o Mediterrâneo mantém-se como a grande estrela para os viajantes europeus, concentrando cerca de 45% da procura.
Este domínio do Mediterrâneo ajuda a explicar porque tantas companhias reforçam operações em portos desta região: é um destino com enorme variedade de experiências em distâncias relativamente curtas, ideal para itinerários de 7 a 10 noites, e com uma combinação de cidades históricas, ilhas e gastronomia que continua a convencer tanto estreantes como repetentes.
Portugal: mais cruzeiros, mais impacto e um perfil bem definido
Em Portugal, os números mostram um setor em expansão e um público cada vez mais confortável com o formato cruzeiro. A CLIA indica um crescimento de 7,3% face a 2024 e revela que, em 2025, cerca de 80.000 portugueses escolheram viajar num cruzeiro. Quanto a preferências, o Mediterrâneo aparece como o destino mais procurado, seguido de Caraíbas / Bahamas / Bermudas.
O perfil médio do passageiro português também é apontado: 48 anos e cruzeiros com duração média de 8 dias – um padrão que encaixa bem nas férias tradicionais de uma semana e nas operações mais comuns a partir de portos europeus.
No plano económico, o turismo de cruzeiros tem um impacto relevante no país. Em Portugal, o setor representa €940 milhões de impacto económico, contribuindo com €410 milhões para o PIB e gerando 9.800 postos de trabalho. Um pormenor interessante é a composição desse impacto: as compras das companhias de cruzeiros em Portugal representam uma parte significativa da contribuição para o PIB, com €174 milhões, equivalendo a 42% do impacto total do PIB associado à indústria. Já os gastos de passageiros e tripulações também têm peso, com €150 milhões gerados através de compras em negócios locais, reforçando o papel do comércio e serviços nas cidades portuárias.
Mais tempo em terra: a mudança que favorece as cidades portuárias
Um dos aspetos mais relevantes do relatório é a forma como o comportamento dos passageiros está a evoluir. Em 2025, o crescimento de passageiros na Europa voltou a traduzir-se em benefícios diretos para as economias locais, sobretudo devido a mais tempo em terra e estadias prolongadas. A CLIA destaca três indicadores que ajudam a perceber esta dinâmica: 64% de pernoitas nas cidades portuárias, 70% de participação em excursões em terra e cerca de 60% de passageiros a regressarem mais tarde a destinos visitados pela primeira vez num cruzeiro.
Na prática, isto sugere uma mudança para um envolvimento cultural mais profundo e menos “apressado”. Para os destinos, significa mais consumo local, maior utilização de serviços turísticos e uma oportunidade de transformar uma escala de algumas horas num relacionamento de longo prazo com o viajante.
Cruzeiros mais imersivos e planeamento de longo prazo
A própria natureza das viagens de cruzeiro está a adaptar-se às expectativas atuais. A tendência aponta para jornadas mais imersivas, com excursões em terra com curadoria, experiências mais personalizadas, foco no património local e nas comunidades, e mais tempo disponível nos destinos para visitas mais detalhadas. É uma evolução que se nota especialmente em itinerários com escalas mais longas, partidas tardias e pernoitas, onde o passageiro deixa de “colecionar portos” e passa a explorar com outra calma.
Em paralelo, o setor mantém um horizonte de investimento elevado na Europa, tanto enquanto mercado como enquanto base industrial. A CLIA sublinha que a frota está a tornar-se mais equilibrada e flexível, com navios de diferentes dimensões para acomodar perfis variados de passageiros e itinerários. Do lado tecnológico, 57% dos navios encomendados já estão previstos com motores multifuel, refletindo esforços contínuos na transição para novas soluções energéticas.
Quanto à escala do investimento, em 2026 a frota de membros da CLIA deverá receber 8 novos navios, representando 6,6 mil milhões de dólares, e as encomendas previstas até 2037 incluem mais de 60 navios, o equivalente a 71 mil milhões de dólares. Num retrato mais amplo, em 2024 a indústria de cruzeiros suportou 445.000 empregos em toda a Europa e contribuiu com €64,1 mil milhões para a economia europeia, sendo €28 mil milhões desse valor contribuição direta para o PIB europeu.
No conjunto, os dados mostram um setor com procura sólida, crescente intenção de repetição por parte dos passageiros e um impacto económico que vai muito além do porto no dia da escala. E, para Portugal, o retrato é duplo: há mais portugueses a viajar em cruzeiro e há um efeito económico significativo no país, com espaço para continuar a crescer à medida que as viagens se tornam mais longas, mais culturais e mais integradas nas economias locais.














