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Executivos da Indústria esperam Boom em 2022 com 80% da frota operacional e 33 novos navios

A 11ª edição do International Cruise Summit, que decorreu nos dias 17 e 18 de novembro em Madrid, teve a sustentabilidade como foco de atenção para as companhias de cruzeiros e portos, mas também os desafios que enfrentam durante o reinício total da sua atividade. O evento foi presencial, com lotação plena, mostrando as boas perspetivas para o futuro que tanto as companhias de cruzeiros como os portos preveem.

O ICS 2021 foi inaugurado por Marie-Caroline Laurent, CEO da CLIA Europe, e Francisco Toledo, presidente da Puertos del Estado, e contou com a participação de destacados gestores e executivos de empresas de cruzeiros, portos, consignatários e outras empresas do setor.

O setor, que estava a todo vapor antes da pandemia, tem recuperado a atividade aos poucos desde agosto de 2020, mas com mais intensidade a partir do verão de 2021, e espera ter cerca de 80% das suas operações até ao final do ano. A maioria das companhias de navegação está inclinada a aceitar apenas passageiros vacinados a bordo, que em qualquer caso, devem passar por um teste covid-19 antes de embarcar, medidas que são apoiadas por 90% dos passageiros, de acordo com uma pesquisa realizada pela Cruise Critic no início deste mês.

Apesar dessas medidas rígidas, o setor ainda sofre restrições específicas, como em Itália, onde qualquer viajante que chega por via terrestre ou aérea tem liberdade de movimento, mas se chega de navio de cruzeiro, só pode visitar as cidades em excursões de bolha. Essa restrição atualmente é um travão para muitos passageiros, que continuam a adiar as suas viagens até à remoção desta regra.

Outro desafio que o setor enfrenta é a destruição, durante a pandemia, de milhares de empregos necessários à sua atividade, como motoristas, guias turísticos e até o fecho de pequenas operadoras de turismo e comércio local. Além disso, as empresas de cruzeiros não só tiveram enormes dificuldades em enviar a sua tripulação para casa durante o período mais severo de confinamento, mas agora estão com  dificuldades para recrutar pessoal, devido às restrições a bordo impostas pelos protocolos, segundo os quais, a tripulação não pode sair do navio nas escalas e muitas das instalações que estavam disponíveis no navio, como a academia da tripulação ou similar, não estão operacionais.

Durante o ICS 2021, foram apresentadas várias novas companhias e abordados temas como a recuperação dos destinos e o futuro do setor, em que a palavra mais repetida era “sustentabilidade”. Os portos têm pela frente grandes desafios para criar infraestruturas que permitam a ligação elétrica dos navios a terra quando estão no porto, para que possam desligar os motores. Por outro lado, o Gás Natural Liquefeito está a progredir fortemente como combustível alternativo ao fuelóleo, conseguindo uma redução de 100% nas emissões de óxido de enxofre e 30% em CO2, pelo que os portos também terão de instalar infraestruturas para poderem abastecer este combustível para navios.

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A indústria de cruzeiros tem o compromisso de ser neutra em carbono até 2050 e, nesse sentido, será fundamental avançar no uso de fontes de energia ainda mais limpas como o hidrogénio e otimizar todo o consumo a bordo, tanto de iluminação como de ar condicionado, cozinhas e, claro, na propulsão.

Por fim, as empresas de navegação estão a apoiar as agências de viagens, investindo em marketing para estimular a procura e a organizar viagens de família para que tenham conhecimento em primeira mão da segurança dos protocolos em vigor. É por isso que as empresas de navegação já observam uma forte procura por cruzeiros em 2022 e 2023.

Outros destaques:

  • Na entrevista com Mario Zanetti, CEO da Costa Cruzeiros, destacou o rebranding da marca com base nas preocupações dos passageiros com a sustentabilidade e também com as escalas curtas. A empresa aumentou os tempos de escala e incorporou a Turquia nos seus itinerários e como porto de embarque.
  • Na 2ª sessão, sobre a recuperação de destinos, foram destacadas as dificuldades dos armadores operarem num ambiente onde cada país tem protocolos e restrições diferentes. Tine Oleman, da TUI Cruises, acredita que os destinos devem confiar mais na segurança e na força dos protocolos de transporte.
  • Na 4ª sessão sobre tripulações, Lucy Hodgson da VShips Leisure expressou o desejo de que mais mulheres entrem no mundo marítimo em todos os níveis.
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