Cruzeiro das Arábias: Da excentricidade dos Emirados ao secular Omã (crónica de uma viagem por Abu Dhabi, Dubai, Sir Bani Yas, Khasab e Muscat)

Cruzeiro das Arábias: Da excentricidade dos Emirados ao secular Omã (crónica de uma viagem por Abu Dhabi, Dubai, Sir Bani Yas, Khasab e Muscat)

Cruzeiro das Arábias: Da excentricidade dos Emirados ao secular Omã (crónica de uma viagem por Abu Dhabi, Dubai, Sir Bani Yas, Khasab e Muscat)

3.44K
0

Confesso que o Médio Oriente não estava nas minhas previsões para um cruzeiro. Primeiro, porque não era um dos principais destinos para os navios de cruzeiro, e segundo, porque não me sentiria completamente seguro em países fora da minha zona de conforto, com outra cultura… a verdade é que estava completamente enganado!

Na realidade foi das melhores experiências que tive em cruzeiros!

Enquanto alguns dos destinos, como o Dubai, são relativamente conhecidos, ou, pelo menos, sabíamos o que esperar, outros foram uma autêntica surpresa… Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos, as praias paradisíacas de Sir Bani Yas ou o secular e tradicional Omã com os seus magníficos Fiordes de Musandam.

O itinerário no MSC Splendida

O MSC Splendida fez dois itinerários no Médio Oriente. Por um lado, 7 noites com embarque no Dubai, e escalas em Abu Dhabi, Sir Bani Yas, Bahrein e Doha (Qatar), que alterna com outras 7 noites desde o Dubai até Abu Dhabi, Sir Bani Yas, Muscat (Omã) e Khasab (Omã).

Este itinerário fez parte da temporada de Inverno da MSC Cruzeiros no Médio Oriente, que decorreu de Novembro até Março. É um itinerário que será irá manter em 2019/2020 com uma grande novidade 🙂

Nós fizemos em Março e devo dizer que é a melhor altura para visitar a região. Sem calor exagerado nos destinos que visitamos, as temperaturas foram sempre muito agradáveis sempre rondando os 25 a 30 graus durante o dia. O sol nesta altura já é forte, pelo que é imprescindível um bom protetor solar. Não façam como eu que no segundo dia do itinerário apanhei um escaldão que fiquei com a marca dos óculos de sol… não foi bonito!

A nossa viagem

Foi uma oportunidade que surgiu e foi uma oportunidade agarrada! Primeiro, voo Lisboa-Dubai a bordo dos fantásticos Boeing 777 da Emirates. A companhia tem dois voos diários de/para o Dubai, o que se revela muito positivo para quem embarca no Dubai.

Em Khasab, Omã, com o MSC Splendida ao fundo.

O nosso voo saiu de Lisboa pelas 21h00 de sábado, um voo noturno, pelo que há mais facilidade em descansar, chegando por volta das 8h00 locais ao aeroporto do Dubai.

Este horário permite muito tempo para embarcar na cidade, ou, como nós, em Abu Dhabi, uma viagem de 140 quilómetros, feita em menos de duas horas. As auto-estradas nos Emirados são boas e modernas, pelo que não há dificuldade de deslocação entre as principais cidades.

Seguiu-se o embarque no MSC Splendida, que se revelou bastante rápido já que não havia muitos passageiros a iniciar o cruzeiro em Abu Dhabi.

Lembro que para visitar estes países, Emirados Árabes Unidos e Omã, é necessário passaporte com validade de, pelo menos, 6 meses após o final da viagem. No próprio check-in da MSC Cruzeiros é feita a validação e o passaporte fica com a companhia durante alguns dias, no sentido de tratarem dos vistos para a entrada nesses países.

Sempre que saírem do navio, os elementos da segurança da companhia fornecem um cartão que nos permite entrar e sair do país. Têm que levar esta autorização, bem como o cartão de identificação da MSC, caso as autoridades locais os solicitem.

1º dia – Abu Dhabi

A parte da tarde foi dedicada a uma pequena incursão por Abu Dhabi, com destino à magnífica mesquita Sheikh Zayed, bem no centro da cidade. Inaugurada em 2007, é a maior mesquita dos Emirados Árabes Unidos, com capacidade para mais de 40 mil pessoas.

A beleza desta construção, de inspiração islâmica, egípcia e persa, não se limita à grande cúpula de mármore branco e mosaicos dourados, mas também aos sumptuosos candeeiros repletos de cristais Swarovski. Também o tapete, que cobre todo o interior da sala principal de orações, pesa 35 toneladas e foi o maior tapete feito pelas companhias iranianas. A mesquita possui quatro grandes minaretes, cada um com 106 metros de altura.

Grande Mesquita do Sheikh Zayed

A entrada é gratuita mas é necessário bilhete e um controlo de segurança, semelhante aos aeroportos. Lá dentro, é obrigatório vestuário discreto, sendo o lenço obrigatório a tapar o cabelo das senhoras. A mesquita possui um código de conduta e de vestuário que aconselho a ler antes de entrar.

Mas é ao anoitecer que a mesquita ganha outra vida quando é ligada toda a iluminação. A luz incide nas piscinas exteriores, em tons de azul, e estas reflectem as colunas, os arcos e as cúpulas de vários ângulos e perspectivas. Uma escala em Abu Dhabi nunca ficaria completa sem uma visita à Grande Mesquita do Sheikh Zayed.

Antes do regresso ao MSC Splendida tivemos a oportunidade de visitar o Emirates Heritage Village, um espaço que recria o modo de vida do deserto numa viagem ao passado de Abu Dhabi. Contempla também uma pequena mesquita, um museu e um mercado tradicional de artesanato.

Bem atrás do Emirates Heritage Village tem a encantadora praia de Breakwater, de fina areia branca, com excelentes vistas para o centro de Abu Dhabi, e os seus principais arranha-céus.

Emirates Heritage Village

Abu Dhabi tem imensos pontos de interesse, mas numa escala tão curta não houve tempo para visitar todos. Deixo aqui alguns destaques para uma próxima oportunidade:

  • Emirates Palace: um dos mais espetaculares hotéis de Abu Dhabi
  • Souk Central Market: um mercado tradicional árabe
  • Ferrari World: um museu da Ferrari que inclui uma montanha-russa
  • Louvre Abu Dhabi: um espaço cultural e artístico com uma arquitectura invulgar
  • Yas Waterworld Abu Dhabi: um parque aquático para diversão em família
  • Al-Hosn Fort: antigo forte é a construção mais antiga de Abu Dhabi, hoje é um museu.

2º dia – Sir Bani Yas

Chegamos manhã cedo e o navio não atraca na ilha, ficando ao largo e fazendo o transporte de passageiros nos seus próprios tenders. Como são vários, a viagem é rápida até à ilha de Sir Bani Yas, parte do emirado de Abu Dhabi.

A ilha é uma grande reserva natural onde se pode encontrar não só praias paradisíacas mas também uma vida selvagem protegida onde os animais vivem em total liberdade.

A escala em Sir Bani Yas pode ser dividida em duas partes distintas: a praia e a reserva. Se optar pela praia o que vai encontrar é semelhante a tantas outras praias paradisíacas das Caraíbas. Cerca de um quilómetro de praia de areia branca e um azul do mar convidativo totalmente exclusivos para os passageiros do MSC Splendida.

O staff da MSC Cruzeiros prepara a ilha com todas as comodidades, transporte, bares, restaurante buffet, casas de banho, poltronas e espreguiçadeiras, insufláveis para os miúdos, bicicletas para as excursões, etc. Tudo como se estivéssemos no navio.

Existem muitas actividades que pode fazer nesta ilha, incluindo algumas mais emocionantes: snorkeling, paddle boarding nas águas calmas da reserva, e até kayak para uma ou duas pessoas. Também poderá explorar a ilha em bicicletas. Tudo preparado pela MSC Cruzeiros para oferecer uma excelente estadia em Sir Bani Yas.

Sir Bani Yas

Por outro lado, pode optar por um safari à reserva natural em jipes, onde poderá ver a beleza natural e a vida selvagem da ilha.

A reserva natural de Sir Bani Yas foi criada com o propósito de receber animais da Península Arábica, e até de África, que se encontram ameaçados, e onde vivem aqui em liberdade. Não se espante se por aqui encontrar chitas, flamingos e até girafas.

Nós optamos por desfrutar de um dia de sol nas espreguiçadeiras e também explorar a pé a própria ilha.

Dica: Se for em excursão à reserva natural tente ir o mais cedo possível, já que os animais tendem a esconder-se durante o dia para evitar as horas de maior calor. A excursão poderá ser adquirida por 65€ por pessoa e tem a duração de 1 hora.

4º dia – Muscat, Omã

Depois da ilha de Sir Bani Yas tivemos um longo dia de mar enquanto viajávamos até Muscat, em Omã. Dos arranha-céus de Abu Dhabi e Dubai para o tradicional Omã, a diferença não se fez esperar…

A MSC Cruzeiros providencia um shuttle gratuito desde o navio até à saída do porto, que fica mesmo na parte antiga de Muscat, e onde podemos explorar a cidade a pé. Atenção que ao sair do shuttle teremos dezenas de taxistas a propor as mais diversas excursões pelos mais variados preços. Apesar de insistentes são educados e pudemos conversar (e negociar) com alguns a melhor proposta. Já explico a nossa incursão à Grande Mesquita do Sultan Qaboos.

Em Muscat entramos no mais genuíno e tradicional de uma cidade típica árabe. Muscat é a capital de Omã e a sua história cruza-se com a dos portugueses desde o século 16 quando Afonso de Albuquerque conquistou a cidade aos persas. Durante anos Muscat foi controlada pelos portugueses devido à sua estratégica localização entre África e a Ásia.

Alguns dos monumentos que podemos visitar em Muscat são de origem portuguesa, como os fortes gémeos de Al Jalali e Al Mirani. Bem sobre a parte antiga de Muscat, os fortes têm vistas impressionantes para toda a baía e para as montanhas circundantes.

Muscat, Omã

É aqui, bem no centro do porto antigo, que fica um dos ex-libris de Muscat, o Muttrah Souk, o mercado mais tradicional da cidade. As suas praças e ruas estreitas, repletas de lojas típicas, convidam às compras e apelam a todos os sentidos, especialmente aos olfatos mais apurados, fruto dos perfumes e aromas que nos acompanham pelo bazar.

Muttrah Souk, Muscat

Grande Mesquita do Sultão Qaboos

Já mais distante da parte antiga de Muscat fica a Grande Mesquita do Sultão Qaboos, uma construção de arquitectura islâmica, totalmente construída em arenito índio. Este imponente edifício é circundado por lindos jardins e pátios irrepreensivelmente bem tratados.

A sala principal de oração para os homens é impressionante, com o seu lustre central de 14 metros e mais de 8 toneladas, dizem que é o maior do mundo. De facto é magnífico, e os seus inúmeros cristais Swarovski dão-lhe um brilho excepcional.

As visitas para não-muçulmanos são permitidas e têm horários fixos, todos os dias das 8 às 11 horas, excepto à sexta-feira. Não é necessário bilhete para entrar, mas cuidado com as regras, pois são restritas: calçado fica à porta, em estruturas próprias, e usar vestuário comprido, sendo que as senhoras devem tapar os ombros e os joelhos, e usar lenço na cabeça.

Grande Mesquita do Sultão Qaboos

Dica: Desde a parte antiga de Muscat, onde fica o porto, é possível apanhar um taxi até à Grande Mesquita, isto se não pretender ir em excursão. É uma viagem de cerca de 20 minutos, e nós negociamos com o taxista 40€ para uma carrinha de 7 pessoas. Acredito que seja possível conseguir menos, mas vai ter mesmo que regatear. Não se esqueça: a vista à Grande Mesquita do Sultão Qaboos é obrigatória.

Quem pretender ir na comodidade de uma excursão, a MSC Cruzeiros tem a Mystical Muscat (75€ por adulto), que visita a Grande Mesquita do Sultão Qaboos, o mercado tradicional, Muttrah Souk, o Museu Bait Al Zubair, sobre a cultura ancestral de Omã e ainda uma paragem no Al Alam Palace, o palácio residencial do sultão.

5º dia – Khasab, Omã

Chegamos manhã cedo a Khasab, uma pequena cidade de pescadores fundada pelos portugueses no século 17, devido à sua localização: em frente ao Estreito de Ormuz, que separa a costa de Omã do Irão, e no trajecto marítimo para a Índia. É aqui que acaba o Mar Arábico (antigo Golfo Pérsico) e começa o Oceano Índico.

Em Khasab o MSC Splendida ficou fundeado ao largo, pelo que o transporte até ao porto foi feito através dos salva-vidas. A MSC Cruzeiros disponibiliza um shuttle, desde o porto até ao centro da cidade, em intervalos regulares, por 4.99€ por pessoa. Mas a nossa excursão, não era propriamente a Khasab.

Fiordes de Musandam, Khasab

Na realidade a cidade em si não tem muito para ver… mas aqui ao lado fica uma das maiores atrações de Omã: os Fiordes de Khasab, também conhecidos pelos Fiordes de Musandam, ou mesmo por Noruega das Arábias.

Estes fiordes foram esculpidos nas montanhas rochosas e áridas da região de Khasab e as suas águas tranquilas atraem turistas de todas as regiões de Omã e dos Emirados Árabes Unidos. Uma das principais actividades são os cruzeiros aos fiordes, em embarcações tradicionais, chamados dhow. Foi esta a excursão que escolhemos.

O nosso cruzeiro aos fiordes partia do porto, pelo que foi rápido sair do tender e entrar no nosso dhow, o nosso barco tradicional de Omã.

Estes barcos compõem a frota que sobe e desce os fiordes com algumas dezenas de turistas a bordo. O nosso levava cerca de 15 pessoas, incluindo o piloto, que manobrava o barco, e o nosso guia, que nos acompanhou durante todo o cruzeiro e nos oferecia fruta, chá e café.

O nosso itinerário aos Fiordes de Khasab era simples, apreciar a paisagem e as montanhas rochosas, ver as aldeias de pescadores, nadar nas águas calmas dos fiordes, fotografar os muitos golfinhos que nos acompanharam e visitar a ilha de Telegraph.

Esta ilha, onde o barco atracou, é rica em história. Situada no meio do fiorde, ganhou o nome de Telegraph quando os britânicos instalaram uma central de comunicações no século 19. A pequena e rochosa ilha já pouco tem dessa altura, apenas as ruínas da estação, mas compensa pela vista privilegiada que tem para os fiordes.

É aqui que muitos dhow atracam para os turistas tomarem banho nas águas do fiorde, e até para fazer snorkeling.

Fiordes de Musandam, Khasab

Existem outras excursões em Khasab, mas acredito que um cruzeiro aos fiordes é a melhor opção. O preço por adulto ronda os 90€. Podem também optar por uma excursão ao centro de Khasab, mais visita a Bukha, uma cidade perto da fronteira com os Emirados. O centro de Khasab é pequeno e tem alguns mercados e mesquitas, faz-se bem a pé. Também podem visitar o Forte de Khasab, mandado erguer pelos portugueses.

Dica: Devo lembrar que estamos em Omã, um país tradicional, e (muito) menos vanguardista que o Dubai ou Abu Dhabi. Sendo perfeitamente seguro andar pelas ruas, deve, no entanto, obedecer aos costumes locais, como tal, deverá usar vestuário menos exuberante, principalmente as mulheres. As mesquitas, por norma, não estão abertas a não-muçulmanos, e em certos edifícios, é proibido fotografar, tenha essas regras em consideração.

6º dia – Dubai

Dubai

Que dizer do Dubai? Uma mega-metrópole vanguardista onde a excentricidade se sente em cada esquina e onde o futuro parece estar bem à nossa frente. Para se sentir essa excentricidade só mesmo vendo com os próprios olhos, sentir a vibração da cidade, e sobretudo, assimilar cada momento com tempo, porque aqui no Dubai o tempo voa.

Felizmente o nosso itinerário no MSC Splendida contemplava 2 dias no Dubai, com overnight. Excelentes notícias para quem quiser experimentar ao máximo tudo o que o Dubai tem para oferecer… e é tanto que tivemos que fazer escolhas difíceis.

O Dubai é uma grande cidade, sendo difícil andar a pé, até porque com grandes auto-estradas a cortar o coração da cidade e a ausência, em muitos locais, de passeios, torna-se difícil caminhar. Pela minha experiência, usar o metro é boa opção, com vários trajectos e pouco tempo de espera. Outra opção é usar um Uber, a cidade é bem servida e com preço acessível.

Para ter uma ideia das distâncias no Dubai, desde a torre Burj Khalifa, no coração da cidade, até ao Hotel Burj Al Arab, em Jumeirah, são cerca de 16 quilómetros. Neste caso, o metro não é tão eficaz, sendo a estação do Mall of Emirates, a mais próxima do hotel, mas ainda longe do Burj Al Arab.

O metro do Dubai é rápido, eficaz e totalmente automatizado. Existem duas linhas, a vermelha que liga Rashidiya, perto do aeroporto, até Jebel Ali, e a linha verde, que passa por Deira, a parte antiga do Dubai e onde se encontram os mercados tradicionais.

De notar que existem carruagens específicas para as mulheres, claramente identificadas com a cor rosa, e com sinais de advertência caso algum homem seja visto a usar essas carruagens. De facto, achei estranho ao entrar na primeira carruagem, estar repleta de mulheres… um lapso, que foi devidamente corrigido ao deslocar-me para a terceira carruagem 🙂 Um mapa completo do metro do Dubai pode ser consultado nesta ligação.

Burj Al Arab

Burj Al Arab, Dubai

Neste primeiro dia no Dubai marcamos algumas visitas, incluídas na excursão Dubai City Tour, da MSC Cruzeiros. Burj Al Arab, com um salto à Palm Jumeirah, Dubai Marina, e Jardim dos Milagres, um espaço totalmente construído com flores.

A visita ao Burj Al Arab foi curta, até porque não existem visitas para curiosos. Para entrar, tem que ser um hóspede do hotel, ou então, reservar uma refeição, que pode ser um almoço, jantar, ou mesmo um pequeno-almoço. O hotel tem vários restaurantes e bares, alguns com vistas de cortar a respiração.

Conhecido por ser o único hotel de 7 estrelas do mundo, o Burj Al Arab esbanja luxo e extravagância, e não o faz por menos. Hóspedes que fiquem em suites podem ter um Rolls Royce à sua espera no aeroporto, enquanto os felizes hóspedes da Royal Suite podem chegar de helicóptero, que aterra no heliporto do hotel.

Os preços também são de 7 estrelas e se quiser ficar hospedado a suite mais barata custa cerca de $2.800 por noite e a mais cara, a Royal Suite, espere desembolsar $22.000 por noite.

Palm Jumeirah

Depois de algumas fotos do Burj Al Arab seguimos para a Palm Jumeirah, um conjunto de ilhas artificiais em forma de palmeira e onde se encontram uma zona residencial, vários hotéis de luxo, entre os quais o famoso Hotel Atlantis, uma cópia do Atlantis Paradise Island, nas Bahamas.

A Palm Jumeirah é (mais) uma das grandes obras do Dubai, facilmente identificável para quem chega de avião. Visitar a palmeira não é igual ao vê-la do ar, pois não parece que estamos numa ilha, e ainda menos com o formato de uma palmeira. Existem passeios no Dubai, de helicóptero ou hidroavião, que permitem ver esta, e outras maravilhas, do ar em todo o seu esplendor. Outra forma é através do Hotel Dubai Marriott ou do Sky Bar, um dos bares panorâmicos do Burj Al Arab, virados para a costa do Dubai.

Dubai Marina

Dubai Marina

Da Palm Jumeirah até à Dubai Marina é relativamente perto (cerca de 5 quilómetros) e a nossa excursão prosseguiu até àquela que é a maior marina do mundo (estamos no Dubai), com mais de 3,5 quilómetros de extensão.

Aqui o tempo foi muito curto, pois a Dubai Marina tem muito mais para oferecer do que apenas iates de luxo. Aqui os arranha-céus estão sempre presentes e oferecem condomínios de luxo, centros comerciais e muitos hotéis. Circundando a marina está um dos mais agradáveis passeios do Dubai, a Dubai Marina Walk, uma grande zona pedonal repleta de bares, restaurantes e pequenos terraços com vista para as magníficas embarcações.

Dizem que as melhores vistas para a Dubai Marina estão no The Observatory, o bar-restaurante do Hotel Dubai Marriott, situado no 52º andar, o mesmo que permite ver a Palm Jumeirah. Infelizmente não o pudemos comprovar.

Jardim dos Milagres

A paragem seguinte foi no Jardim dos Milagres, outra das obras-primas do Dubai, situado fora do centro da cidade, já em pleno deserto. É o maior jardim de flores naturais do mundo, com mais de 90 milhões de flores e 250 milhões de plantas, contribuindo para mais uma excentricidade do Dubai, criado mesmo no meio do deserto (daí ser apelidado de Jardim dos Milagres).

Este milagre, de criar e tratar de milhões de flores, em pleno deserto, e sob temperaturas tórridas de 50 graus no verão, só foi possível com tecnologia de ponta, em irrigação e reaproveitamento das águas. Todos os anos o jardim é reconstruído e novas formas, estruturas e personagens são criadas.

Jardim dos Milagres

Aqui existe de tudo, cascatas, túneis, casas, castelos, animais gigantes, personagens da Disney, todos criados a partir de flores. Existe até uma réplica de um avião Airbus A380, o maior avião do mundo, totalmente elaborado com flores, como as fotos deste artigo documentam.

Visitamos o Jardim dos Milagres numa sexta-feira, o que não é, de todo, o melhor dia para visitas. Sextas e sábados, o tradicional fim de semana do mundo árabe, não são os melhores dias já que estava repleto de visitantes. Apesar disso, foi uma bela visita, que recomendo, mas apenas durante a semana. O bilhete para o Jardim dos Milagres custa 50 dirhams, aproximadamente 12€ por adulto.

Al Seef

O primeiro dia no Dubai estava quase no fim, altura para planearmos uma noite diferente, chamar um Uber e ir até Al Seef, uma nova zona cultural do Dubai, nas margens do canal Dubai Creek. Podem também apanhar o metro e sair nas estações Al Fahidi ou BurJuman.

Um dos pontos mais interessante é Al Fahidi, um pequeno bairro que retrata o Dubai de antigamente. Situado nas margens do canal, o bairro oferece uma arquitectura tradicional, ruas e passeios estreitos com exposições, livrarias e arte espalhada pelos seus cantos, além das tradicionais lojas, pequenos bares e cafetarias típicas. Aqui sim, é aconselhável andar a pé para não perder nada do que o bairro oferece.

Al Seef

Em frente ao Dubai Creek, o canal permite a passagem para o lado de Deira, o antigo centro do Dubai, onde se encontram os grandes mercados tradicionais, os chamados souks. A travessia pode ser feita nos pequenos barcos, os dhow, por uma quantia irrisória.

Não será fácil ver e sentir todos os souks, mas os principais são os do ouro, das especiarias e dos têxteis, mas o melhor é perder-se a pé pelas suas ruas, saltando de loja em loja. Se é especialista em regatear então vai ter que puxar dos galões para fazer um bom negócio. É quase obrigatório.

A noite já ia longa e as pernas começavam a pesar quando decidimos ir a um dos muitos bares típicos de Al Seef, com vistas para o Dubai Creek. Apesar de ser Março, e duas da manhã (já) de sábado, a temperatura amena convidava as pessoas a encher as ruas e as margens do canal. O dia seguinte esperava-nos, para outra forte jornada pelo Dubai…

7º dia – Dubai

Começava cedo o dia no Dubai, quando apanhamos um taxi directamente para o Dubai Mall, o maior centro comercial do mundo (mais uma excentricidade do Dubai). Lembro que este centro tem um shuttle desde o terminal de cruzeiros até ao Dubai Mall e regresso. A manhã ia ser dedicada à baixa do Dubai, que compreende o próprio Dubai Mall, o gigante Burj Khalifa e a Dubai Fountain.

Dubai Mall

Chamar ao Dubai Mall um centro comercial é claramente insuficiente para retratar a grandeza desta infra-estrutura. São mais de 1200 lojas, muitas delas de luxo, 150 restaurantes, e alguns espaços especais que fazem deste centro algo único e inovador.

Por exemplo? O Aquário e Zoo Subaquático de 10 milhões de litros que ocupa três pisos do Dubai Mall. Entrar num “centro comercial” e ver uma parede envidraçada com 33 mil animais aquáticos de 140 espécies diferentes não deixa ninguém indiferente.

Não se espante se vir tubarões-tigre e raias a pairar por cima da sua cabeça. É mesmo possível visitar o aquário com diferentes tarifas, incluindo descer dentro do aquário numa jaula, ou mesmo fazer snorkeling com botija de oxigénio… afinal estamos no Dubai, onde “tudo” é possível. Consulte mais informações sobre ingressos no Aquário e Zoo Subaquático aqui.

Dubai Mall

Outra das grandes atrações do Dubai Mall é a pista de gelo, e claro, tem um tamanho olímpico. Além de receber os jogos da Liga dos Emirados, tem aulas de ski disponíveis.

Visitar o Dubai Mall, até para mim que evita centros comerciais, foi uma experiência diferente. Os serviços que o centro oferece aos visitantes, a arquitectura interior de toda a estrutura, as avenidas e as praças existentes, mas sobretudo o design de cada loja, absolutamente incríveis, inclusive a portuguesa Sacoor Brothers, com um saxofonista a tocar para quem visitava a loja.

Uma das mais famosas zona do Dubai Mall é a Fashion Avenue, lugar onde estão as marcas que redefinem o luxo. Estão lá todas, Rolex, Cartier, Chanel, Louis Vuitton, entre muitas outras, tem um acesso exterior próprio, com porteiro, e cada uma destas lojas com o habitual segurança, tal como se vê em muitas das famosas lojas de Paris.

Dica: Leve muito dinheiro no bolso, ou um cartão de crédito recheado, pois a tentação no Dubai Mall é grande 🙂

Burj Khalifa

Burj Khalifa, Dubai

É aqui no Dubai Mall, que se pode subir ao Burj Khalifa, o maior arranha-céus do mundo com uns estonteantes 828 metros.

O acesso aos dois observatórios é pago e existem várias modalidades.

At the Top Sky, permite uma visita guiada ao Observation Deck, no piso 148, a 555 metros de altura, e custa cerca de 89€ por adulto.

Existe uma modalidade mais barata, a At the Top, que vai até aos pisos 124 e 125, aos 465 metros, por cerca de 35€ por adulto.

Estes observatórios têm vistas desimpedidas de 360 graus, para a cidade do Dubai e Golfo Pérsico.

À noite a vista, dizem, é ainda mais espectacular, mas certifique-se que o céu está limpo, o que não aconteceu durante a nossa visita.

Para adquirir os bilhetes pode fazê-lo online através deste site.

Dubai Frame

Almoço rápido no Burger King do Dubai Mall e seguimos para o metro, a caminho do Dubai Frame, a nova estrutura vertical do Dubai.

O Dubai Mall está ligado ao metro, através de uma manga totalmente coberta, o que significa que não precisa sair do centro comercial para apanhar a linha vermelha do metro. É um percurso de cerca de 20 minutos, mas que vale bem a pena.

Mas afinal o que é o Dubai Frame? Primeiro, é a maior moldura do mundo, com 150 metros de altura e tem vistas 360º graus para todos os lados do Dubai, norte, sul, este, oeste. E segundo, é um museu que mostra o passado e o futuro do Dubai.

De um lado, na base de uma das torres, pode-se ver uma exposição do antigo Dubai, da terra de pescadores e comércio, com projeções multimédia e mapas interativos. O caminho faz-se até ao elevador panorâmico, que nos levará 150 metros acima, não aconselhável a pessoas com vertigens. A vista, enquanto subimos, é, de facto, incrível.

Lá em cima, na plataforma que liga as duas torres, temos das vistas mais incríveis para o Dubai, desde o Golfo Pérsico até Deira, o antigo centro, desde as areias do deserto até à baixa do Dubai, com os seus arranha-céus. Não estava um dia limpo, e como tal, as vistas não eram perfeitas (mais uma vez escolha um dia limpo que a experiência será superior).

A plataforma liga as duas torres, e no centro o passeio é… de vidro. Sim, podemos andar por cima do passeio transparente e ver tudo debaixo dos nossos pés. São 93 metros de uma torre à outra e 150 metros até lá em baixo. Emocionante.

Dubai Frame

Ao descer pelo outro elevador panorâmico (a sensação e as vistas são as mesmas do outro elevador) chegamos ao futuro do Dubai. Na outra torre tínhamos o passado do Dubai, e nesta, o seu futuro e como veremos essa evolução.

Logo à saída do elevador, entramos num túnel de realidade virtual com a projecção de um filme futurista, que representa o que os especialistas idealizam para o Dubai. Estão lá carros autónomos, soluções inteligentes de transporte, salas de aula virtuais, avanços na saúde, etc.

Video do Futuro do Dubai, no Dubai Frame

Dica: Os bilhetes para o Dubai Frame podem ser adquiridos no local, ou online através do site oficial (https://www.dubaiframe.ae) e custam 50 dirhams, cerca de 12€ por adulto. O acesso pode ser feito por metro (linha vermelha) sendo a estação mais perto a de Al Jafiliya (a cerca de 15 minutos a pé). Mas lembre-se, se o céu estiver nublado, ou com pouca visibilidade, não vale a pena a subida ao Dubai Frame.

The Dubai Fountain

Após o Dubai Frame, novo destino: The Dubai Fountain. Regresso ao metro, com destino à estação de Burj Khalifa/Dubai Mall, que é onde se encontra a famosa fonte de água luminosa, num enorme lago artificial, mesmo em frente ao Burj Khalifa e ao Dubai Mall.

Os espetáculos de jatos de água são acompanhados de clássicos musicais como Thriller, de Michael Jackson, I will always love you, de Whitney Houston ou All night long, de Lionel Richie, entre outros. A água é projectada a 150 metros e mais de 6000 lâmpadas coloridas iluminam os fins de tarde. O próprio Burj Khalifa ganha (mais) vida iluminando-se com milhares de LEDs desde a base até ao topo.

Todas as noites há espectáculos, todos gratuitos, a partir das 18 horas, de meia em meia hora e duram 5 minutos. Os melhores locais são aqueles mais afastados do Dubai Mall, como o Souk Al Bahar, repleto de lojas e restaurantes com vistas privilegiadas para a Dubai Fountain e para o Burj Khalifa.

The Dubai Fountain

Dica: o melhor é ver o espetáculo à noite, pois os jogos de luzes são muito mais bonitos e visíveis quando a noite se põe. Afaste-se também do Dubai Mall, já que é de onde vem a maior dos espectadores e aquela zona tende a ficar altamente congestionada. Entre no Souk Al Bahar, e vá pelo passeio à procura de um bom lugar.

Excursões no Dubai

A MSC Cruzeiros disponibiliza dezenas de excursões nos dias de escala no Dubai e não é fácil escolher as melhores. Vou destacar aqui aquelas que me parecem as mais interessantes, mas não dispensa uma leitura atenta a todas elas:

  • Panorama Burj Khalifa – Inclui uma paragem no Hotel Burj Al Arab, uma visita à Palm Jumeirah e uma subida ao Obeservation Deck do 124º andar do Burj Khalifa. (105€)
  • Dinner in the Dunes – Visita ao deserto no final da tarde para fotos do pôr-do-sol e jantar ao som de música árabe com uma exibição de dança do ventre. Possibilidade ainda de uma volta em camelo pelas dunas. (125€)
  • Dubai at Night from Burj Khalifa – Visita noturna ao 124º andar do maior arranha-céus do mundo para uma vista da cidade à noite. Visita também ao Dubai Mall e à Dubai Fountain. (89€)
  • Exclusive Dubai: Burj Khalifa e almoço no Burj Al Arab – para uma experiência mais exclusiva, esta excursão de dia completo, contempla visita ao Dubai Mall, passagem pelo 124º andar do Burj Khalifa, almoço no exclusivo Hotel Burj Al Arab, visitas a Palm Jumeirah, ao Dubai Museum no Forte Al Fahidi, e ainda um salto a Deira num barco tradicional, para uma visita ao mercado do ouro. (219€)

8º dia – Abu Dhabi

Já de noite voltamos para o MSC Splendida para o nosso último jantar. Ainda esta noite deixaríamos o Dubai com destino a Abu Dhabi, onde desembarcaríamos desta magnífica semana. De tarde, voo para Lisboa, a bordo da Emirates.

MSC Bellissima em 2019/2020

MSC Bellissima

Este ano o itinerário foi feito no MSC Splendida, mas este já se deslocou para a Ásia, onde ficará para cruzeiros entre a China e o Japão.

Na próxima temporada, este itinerário no Médio Oriente será feito pelo MSC Bellissima, a nova coqueluche da companhia, e de facto, este destino bem merece um navio mais recente, com mais entretenimento e actividades aquáticas nestas terras quentes!

Tivemos a oportunidade de estar na inauguração deste navio, em Southampton, pelo que pode ver a nossa reportagem aqui.

O MSC Bellissima, segundo navio da classe Meraviglia, ficará no Dubai desde Novembro de 2019 até Março de 2020.

Aqui, alternará entre dois itinerários, desde o Dubai (EAU), com escalas em Abu Dhabi (EAU), Sir Bani Yas (EAU), Muscat (Omã) e Khasab (Omã), e outro com escalas em Abu Dhabi (EAU), Sir Bani Yas (EAU), Bahrain e Doha (Qatar), antes do regresso ao Dubai (EAU).

Ambos os itinerários têm um overnight no Dubai. Existe ainda um terceiro itinerário, de 13 noites, que engloba os dois primeiros.

Consulte aqui os itinerários do MSC Bellissima nos Emirados Árabes Unidos

 

(3444)

Booking.com
Nuno Ribeiro Nuno Ribeiro é fundador e editor do Blog dos Cruzeiros, um blog sobre o mundo dos grandes cruzeiros, onde poderá encontrar notícias, opiniões, experiências, sugestões, guias, companhias, navios e muito mais.