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37,2 milhões de passageiros e 90% querem voltar: o “boom” dos cruzeiros explicado

World Navigator a chegar ao Porto de Leixões
👉 Já fizeste um cruzeiro e voltarias a repetir? Ou ainda não experimentaste e tens curiosidade - o que te atrai mais (itinerários, preço, comida, comodidade)? 🚢 A CLIA diz que 2025 foi um ano recorde: 37,2 milhões de passageiros em cruzeiros e quase 90% a afirmar que quer voltar a navegar. O relatório 2026 aponta para um setor em crescimento, com mais navios, mais experiências e mais procura de novos passageiros. 🌍 O estudo destaca também o impacto económico nas comunidades, o aumento de viajantes mais jovens e viagens multigeracionais, além da aposta em tecnologia e sustentabilidade com o objetivo de emissões líquidas zero até 2050. Queres ver o que estes números dizem sobre o futuro das tuas próximas férias?
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O setor dos cruzeiros entrou em 2026 com números que dificilmente passam despercebidos: em 2025, o volume global de passageiros atingiu um máximo histórico de 37,2 milhões, de acordo com o relatório 2026 State of the Cruise Industry, divulgado pela Cruise Lines International Association (CLIA).

Mais do que um recorde, o documento aponta para um mercado em clara fase de consolidação, com procura elevada, novos perfis de viajantes e uma confiança que se traduz num indicador poderoso: quase 90% dos passageiros dizem que tencionam voltar a fazer um cruzeiro.

Para quem acompanha o setor, isto ajuda a explicar a avalanche de novidades que temos visto – navios novos, modernizações, novos conceitos de restauração e entretenimento, e uma corrida a itinerários com mais tempo em porto e experiências mais autênticas. A mensagem da CLIA é que o crescimento não está a acontecer “por acaso”: está a ser sustentado por investimento, inovação e parcerias com destinos.

Bud Darr, presidente e CEO da CLIA, resume esta dinâmica com uma frase que encaixa bem na fotografia atual do mercado: “Os cruzeiros navegam rumo ao futuro com um impulso e uma força excecionais. A procura recorde, o crescente interesse de novos passageiros e a confiança sustentada na experiência de cruzeiro estão a ser acompanhados por inovação, avanços tecnológicos e parcerias com destinos. Ao mesmo tempo, estamos a ver uma mudança significativa no reconhecimento de que os cruzeiros são líderes em operações sustentáveis.

Uma indústria a crescer… e a investir

Além do recorde de passageiros, o relatório aponta para a dimensão da frota que está a suportar este crescimento. Em 2026, existirão 325 navios oceânicos de membros da CLIA, representando cerca de 690.000 camas baixas (lower berths) a nível global. Traduzindo: mais capacidade, mais variedade de produto e, em muitos casos, navios desenhados para responder a novas expectativas – desde tecnologia e conectividade até oferta gastronómica e espaços mais diferenciados.

O investimento não se limita a “pôr mais navios no mar”. A CLIA destaca também tecnologias inovadoras e parcerias com destinos, num esforço para melhorar a experiência do passageiro e gerir de forma mais previsível os fluxos turísticos. Este detalhe é particularmente relevante para portos com pressão de visitantes, onde a planificação e a previsibilidade podem fazer a diferença entre um dia caótico e uma escala bem organizada.

Satisfação em alta e intenção de regressar

Se há um dado que vale ouro para qualquer setor turístico é a taxa de repetição. E aqui a CLIA é clara: quase 90% dos passageiros afirmam que pretendem voltar a navegar, o nível mais alto já registado pela associação. Este número aponta para dois movimentos ao mesmo tempo: por um lado, a satisfação de quem já tem experiência; por outro, o crescimento do interesse de quem nunca fez um cruzeiro e está a considerar a primeira viagem.

A procura global, diz o relatório, está a ser apoiada por um mercado de origem cada vez mais amplo e por uma oferta que cobre praticamente todos os gostos: navios grandes e cheios de entretenimento, unidades mais pequenas com foco em destinos, produtos premium, luxo e até expedição.

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O impacto económico que se sente em terra

Um tema recorrente nos debates sobre cruzeiros é o impacto nas comunidades. O relatório remete para o estudo 2024 Global Economic Impact da CLIA, que estima que o turismo de cruzeiros gerou 198 mil milhões de dólares de impacto económico global em 2024, apoiando 1,8 milhões de empregos e 60 mil milhões de dólares em salários.

Nos Estados Unidos, os números apresentados são igualmente expressivos: 75 mil milhões de dólares de impacto económico, 333.000 empregos e mais de 25 mil milhões de dólares em salários, com 41,4 mil milhões de dólares de contribuição para o PIB. A CLIA sublinha ainda que grande parte deste impacto vem do consumo em terra, o que ajuda a explicar a aposta das companhias em portos, infraestruturas e parcerias com destinos – e também a importância das excursões e do tempo em porto para a economia local.

Passageiros mais jovens e viagens em família

Outro sinal interessante é o perfil do viajante. Segundo o relatório, cerca de um terço dos passageiros tem menos de 40 anos, e aproximadamente um terço das viagens são multigeracionais. Ou seja, os cruzeiros continuam a ser fortes entre casais e reformados, mas estão a captar cada vez mais famílias, grupos e viajantes mais jovens – muitas vezes atraídos pela conveniência (desfazer as malas uma vez), pela variedade de atividades e pelo custo-benefício quando se compara com férias tradicionais.

Mais luxo, mais exploração e mais “imersão”

O relatório descreve uma frota equilibrada em dimensão – cerca de um terço de navios pequenos, um terço médios e um terço grandes – e aponta tendências claras: crescimento do segmento de luxo, expedição e viagens de exploração. Ao mesmo tempo, há maior procura por experiências mais imersivas, como excursões mais curadas, envolvimento cultural e mais tempo em destino.

As ilhas privadas das companhias continuam também a ser um motor de procura, especialmente em itinerários de clima quente, onde o “dia perfeito na praia” funciona como uma extensão do produto a bordo.

Tecnologia e sustentabilidade: o rumo até 2050

No capítulo ambiental, a CLIA refere que os navios novos tendem a ser mais eficientes energeticamente do que as gerações anteriores e que quase todos os novos projetos incluem motores “fuel-flexible”, preparados para diferentes tipos de combustível. O relatório menciona ainda o aumento da adoção de combustíveis com menores emissões, ligações a energia em terra (onshore power), tecnologias de eficiência energética e outras soluções ambientais.

A indústria mantém o compromisso de atingir emissões líquidas zero até 2050, reconhecendo, no entanto, que isso depende de colaboração entre setores, desenvolvimento de infraestruturas e disponibilidade de combustíveis alternativos a preços competitivos e em escala.

Parcerias com destinos e um crescimento mais previsível

Por fim, a CLIA reforça a importância do trabalho com governos e stakeholders locais, com itinerários planeados e volumes previsíveis, criando condições para uma gestão turística mais estruturada. Numa fase em que muitos destinos procuram equilibrar benefícios económicos com qualidade de vida local, esta previsibilidade pode tornar-se uma peça-chave.

A leitura geral do relatório é otimista: crescimento estável, perfil de viajante a diversificar e investimento contínuo. E, como diz Bud Darr, o caminho passa por colaboração, infraestruturas, combustíveis alternativos e regulação pragmática para garantir um futuro de “oportunidade, impacto e crescimento responsável”.

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About the author

Nuno Ribeiro

Olá, o meu nome é Nuno Ribeiro e sou fundador do Blog dos Cruzeiros, um blog sobre o mundo dos grandes cruzeiros, onde pode encontrar notícias, opiniões, sugestões, guias, companhias, navios e muito mais. Sempre que subo a bordo de um navio descrevo toda a experiência aqui para que possa ajudar quem pretende fazer um cruzeiro. Boas leituras!

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